terça-feira, 10 de novembro de 2009

Naná Vasconcelos + DJ Dolores HOJE no Oi Casa Grande






Múltiplas batidas

Texto de Taís Toti no Jornal do Brasil online.

RIO DE JANEIRO - Naná Vasconcelos tem um encontro (às cegas) marcado na próxima terça-feira. Os batuques orgânicos do percussionista pernambucano encontram as batidas eletrônicas do sergipano DJ Dolores, em atração do festival Multiplicidade, no teatro Oi Casa Grande, com interferências visuais do artista plástico Raul Mourão e do diretor Leo Domingues. Chamada Blind Date, a parceria entre Naná Vasconcelos e DJ Dolores já havia sido testada no Recife e em São Paulo, e chega pela primeira vez ao Rio.
– O Multiplicidade tem uma relação muito grande com a tecnologia, e o Naná é o contraponto, o oposto do que a gente prega com as pesquisas em arte digital – detalha o artista visual e curador do festival Batman Zavareze. – A parceria com o DJ Dolores contribuiu para virar um projeto no formato do evento, além de estimular os improvisos musicais do Naná.
Unindo a parceria musical ao trabalho visual de Raul Mourão e Leo Rodrigues, o evento promove um encontro inédito, fato que, segundo Zavareze, está no DNA do Multiplicidade.
– Chamamos o Raul Mourão, que tem bastante afinidade com universo urbano e é ligado ao que o Naná constrói. E ganhamos uma adesão de peso com o Maneco Quinderé, convidado para fazer a luz.
O “encontro às cegas” que dá nome à parceria retrata bem o clima inesperado e de improviso que impera no show da dupla.
– É um negócio muito inusitado e inesperado esse encontro para mim. Gosto muito desse desafio – garante Naná Vasconcelos.– Não sabemos no que vai dar, e isso é bom para sair da mesmice. Vai ser às escuras mesmo, pois chego de viagem da Alemanha no dia e já vou direto para a passagem de som.
O artista plástico Raul Mourão também considera o espetáculo um desafio.
– Fizemos tudo ouvindo as músicas. Juntamos alguns trabalhos meus, do Leo Rodrigues, e preparamos outros, inéditos. Mas vai ser editado na hora, então tem improviso, em função do que vai estar rolando ao vivo.
Aos que consideram sua parceria com o DJ Dolores improvável, o percussionista aponta as semelhanças entre as sonoridades.
– O DJ Dolores é muito orgânico, apesar de lidar com a eletrônica. Meu trabalho é absolutamente orgânico, mas tem muita coisa que faço que parece eletrônico – compara Naná.
O percussionista diz que se sente rejuvenescido ao trabalhar com jovens e ver como eles pensam a música.
– Gosto de estar no meio dessas pessoas. Quando eu saí do Brasil muitos não tinham nem nascido. Gosto de ver o que os jovens estão fazendo agora, de estar lá.
Para Naná, a mistura inesperada só pode resultar em coisa boa:
– Ele é bom no que faz, eu tenho café no bule nas coisas que faço, pois tem honestidade, sinceridade.


20:38 - 06/11/2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

As dimensões do traço: MAM abriga megaexposição de Carlos Vergara

Texto do Carlos Helí de Almeida no Jornal do Brasil online.



RIO DE JANEIRO - Ainda em seu estúdio em Santa Teresa, uma escola transformada em ateliê, Carlos Vergara vai logo avisando que não gosta de mexer em gavetas, de “olhar para trás, ou para o próprio umbigo”. É por isso que o artista plástico gaúcho de 67 anos faz questão de ressaltar que a exposição Carlos Vergara: A dimensão gráfica – Uma outra energia silenciosa, conjunto de 200 trabalhos realizados pelo artista ao longo das últimas cinco décadas que ocup o espaço monumental do Museu de Arte Moderna (MAM) a partir de quinta-feira, não deve ser vista como uma retrospectiva.

– Fiquei conhecido como pintor, apesar de trabalhar com diferentes suportes e processos de produção. Essa exposição quer revelar um aspecto que tem sido sombreado por essa reputação, que é a do artista com um linha gráfica muito forte, característica constante da minha trajetória – informa Vergara, antes de reunir sua equipe e partir em direção ao MAM, para mais um dia de montagem. – É por isso que a exposição tem poucas coisas produzidas nos anos 80, período em que me dediquei quase exclusivamente à pintura.

Da década devotada a experiências pictóricas, só alguns dos croquis que as originaram passaram pelo crivo do colecionador Goerge Kornis, curador da mostra. A proposta era justamente essa, dar destaque a linguagem gráfica que atravessa a produção de Vergara, presente em desenhos, monotipias, fotografias, gravuras, instalações e peças em três dimensões. A exposição receberá obras nunca mostradas antes aos cariocas, como a Capela do Morumbi (1992), formada por quatro monotipias em papel de poliéster de 5 x 8m, presas a uma estrutura de ferro que lembra traves de futebol.

– As monotipias da Capela serão iluminadas pelos dois lados por luzes presas ao teto, para dar a ilusão de transparência. E as pessoas poderão circular livremente entre elas. Eu a chamo de Assim caminha a humanidade – brinca o artista, apontando para as pegadas e marcas de pneus de bicicleta dos auxiliares envolvidos com a feitura das monotipias. – Meus trabalhos costumam incorporar contribuições humanas ou os sinais da passagem do tempo.

A exposição não foi montada segundo um critério cronológico, mas em torno de temas presentes na produção de Vergara: indivíduo e coletividade; espaço e tempo, cor e forma, e os materiais usados pelo artista. A Capela do Morumbi ocupará o centro do primeiro andar do museu. As paredes do espaço monumental, de pé direito muito alto, serão ocupadas por monotipias de grandes dimensões, os registros fotográficos dos carnavais do Cacique de Ramos, realizados entre 1972 e 1976. Ao fundo ficará outra peça grandiosa: o painel de desenhos feito para a Bienal de Veneza, em 1980.

A obra, com 20 metros de comprimento, só foi vista no Rio uma única vez, e para um público bastante restrito. Vegara a montou para amigos no palco do Canecão numa segunda-feira, dia de descanso do espetáculo Saudades do Brasil, de Elis Regina – ele criara a capa do disco e o cenário do show homônimo da cantora. Era a única chance de vê-la montada por inteiro antes de embarcar para a Itália. Depois disso, o painel da Bienal de Veneza só foi mostrado uma vez naquele mesmo ano, numa galeria paulista, e durante uma retrospectiva sobre o artista em Porto Alegre, em 2003.

As duas salas do espaço monumental serão ocupadas por trabalhos em papel, como desenhos, fotografias e gravuras, como as da série 5 problemas 5 estampas, que inspirou um documentário que está sendo realizado pela produtora Matizar. A exposição A dimensão gráfica – Uma outra energia silenciosa, que fica em cartaz até 12 de março, reconhece também o valor da faceta pop do artista, que desenvolveu capas de livros, discos e painéis para empresas particulares, como a Varig, entre o final dos anos 60 e a década de 70. Numa época em que a arte podia funcionar como instrumento de conscientização política, Vergara criou para nomes da literatura, como Antônio Callado, Julio Cortázar e Ed McBain, e da música popular brasileira, como Elis Regina, Fagner, Edu Lobo, Ritchie, MPB4 e até o Trio Elétrico de Dodô e Osmar.

– Nos anos 60, havia um esforço de difusão da arte em duas frentes. Até em função da repressão da ditadura na época, os trabalhos podiam ter um cunho político muito forte. Alguns eram bastantes panfletários, uma forma de discutir ideias antifacistas. Por outro lado, também os artistas plásticos investiam em trabalhos que pudessem ser multiplicados, em séries de 200 e 300 peças, o que tornava a arte mais acessível. Comprava-se arte para dar de presente de aniversário, de casamento – lembra Vergara, um dos fundadores das feiras itinerantes que resultaram na criação da feira de Ipanema.

17:39 - 07/11/2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Nana Vasconcelos + Dj Dolores

Encontro inusitado, show imperdível. Terça que vem as 21h. O ingresso custa R$ 15,00 e R$ 7,50 estudante. Batman me falou que a procura é grande, garanta já o seu. Na bilheteria do Teatro Oi Casa Grande ou no ingresso.com.


Carlos Vergara no MAM - Rio



Uma outra energia silenciosa: a dimensão gráfica na obra de Carlos Vergara

Exposição com mais de cem obras realizadas pelo artista Carlos Vergara dos anos 1960 até hoje ocupará o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, da próxima sexta até 14 de março de 2010.

"O princípio estruturador desta mostra é tornar visível a importância da linguagem gráfica no conjunto da obra de um artista até hoje visto quase como exclusivamente um pintor" diz o curador/colecionador George Kornis.

Vergara construiu ao longo de quase cinco décadas de trabalho como artista plástico uma obra intensa e diversificada. E esta obra incorpora tanto a linguagem pictórica como a linguagem gráfica na construção de uma visualidade com uma clara marca autoral: a recusa do estilo e das facilidades conexas.

O reconhecimento da presença de uma dimensão gráfica na obra deste artista demandou uma pesquisa que recorreu a obras consagradas, até outras pouco conhecidas e mesmo algumas inéditas pertencentes ao acervo do Ateliê Carlos Vergara e a outras coleções privadas. Esta pesquisa gerou não só a montagem da mostra como a edição de um catálogo cujo lançamento se dará ao final do período da exposição. Esta publicação contará com imagens do trabalho do artista nas quais a dimensão gráfica é claramente visível, texto do curador e da professora e crítica de arte Glória Ferreira.

As imagens e textos contidos nesta publicação deverão fomentar a pesquisa, a reflexão e o debate acerca da obra de Vergara. O compromisso com a produção e a difusão do conhecimento sobre a obra do artista conduzirá também à realização de projeções, conferências e debates durante os meses de exibição da mostra no MAM/RJ.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Experimentando Espaços



Experimentando espaços
Concebida especialmente para o jardim do MCB, a exposição reúne artistas que refletem a respeito das experiências espaciais oferecidas pelo mundo contemporâneo. Com curadoria de Agnaldo Farias, são abordados a arquitetura e a paisagem, a casa e os objetos com que a povoamos. A mostra tem a participação dos artistas Afonso Tostes, Amália Giacomini, Amélia Toledo, Arthur Lescher, Carlito Carvalhosa, Daniel Acosta Eduardo Coimbra, Elisa Bracher, José Spaniol e Raul Mourão, que terminam por reinventar a noção de espaço.

“Experimentando Espaços” introduz a força surpreendente e variada de objetos escultóricos, corpos concebidos para propiciar sentimentos e sensações desconhecidas, desconcertantes, percepções que ainda não foram contabilizadas e que dizem muito da vida contemporânea”. Para o curador, o fato de estarem espalhados no jardim é um dado que confere a esses objetos – esculturas, instalações, intervenções – um sabor adicional. “A presença deles em meio a plantas, árvores, canteiros, gramados e caminhos confirma o jardim como lugar de passeio e devaneio, propício não só para as flores e os arbustos, mas para a irrupção de corpos misteriosos e fascinantes”.

A apropriação dos espaços pelos artistas se dá de forma variada, mostrando como cada um deles desenvolve sua poética visual a partir de materiais diversos e em ambientes desafiadores. Dessa forma, Elisa Bracher e Daniel Acosta, artistas cujos trabalhos dialogam com a arquitetura, se valem de estratégias opostas para suas instalações, ele usando materiais industrializados e ela, por sua vez, fazendo uso de adobe para a construção de sua obra.

Na clareira central do jardim, o artista Carlito Carvalhosa suspende antigos postes de iluminação de madeira por sobre as árvores, aludindo ao tempo em que estes eram feitos de materiais naturais. As pedras encasuladas em grades de ferro de Raul Mourão, por outro lado, remetem ao amordaçamento e à proteção daquilo que é precioso em sistemas de segurança.

O site spefic de Arthur Lescher, segundo o curador, contrapõe formas elípticas bem acabadas e polidas à irregularidade do terreno onde são instaladas, suscitando reflexões acerca da incompatibilidade entre homem e natureza. Amália Giacomini faz uso da geometria para retificar as irregularidades topográficas do terreno, estabelecendo uma sobreposição entre razão e natureza a partir de linhas elásticas esticadas no mesmo jardim.

A obra de Jose Spaniol defende o mundo como palco de acontecimentos delicados. Suas duas peças, na verdade, duas balanças, encontram-se embrenhadas nos arbustos mais densos, evocando um equilíbrio flutuante, “uma dança que se dá na compensação dos pesos”, define Farias. Eduardo Coimbra, por sua vez, constrói um muro que serpenteia por entre as árvores, criando novos pontos de vista diferenciados, que ignoram o dentro e o fora. Nos caminhos por entre os muros deste último é que Afonso Tostes faz a sua instalação: um conjunto de ossos que irrompem do chão, truncando a passagem e impondo aos passantes a lembrança da morte, da história que se acumula em palavras.

Por fim, Amélia Toledo, instala no muro do fundo do jardim uma longa chapa horizontal de metal espelhado que reflete uma grande coleção de pedras grandes e coloridas, ricas em matizes e texturas. “Ali, constata-se, o muro rompe-se, vaza; uma grande passagem, uma fresta que é também um horizonte e que descortina outra realidade, plena de matéria, rica de possibilidades, atraente como a primeira pedra brilhante que logrou sensibilizar um homem, o primeiro homem, que a guardou consigo acreditando tratar-se de um talismã”, afirma o curador.

Realização: Agenda Projetos Culturais e Doble Cultura + Social

Abertura: 7/11, às 11h
Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes: R$ 2,00
Gratuito aos domingos e feriados
Acesso a pessoas com deficiência
Visitas orientadas: 3032-2564/agendamento@mcb.org.br
Estacionamento: R$ 12,00 no dia da abertura; de terça a sábado, até 30 min., grátis;
até 2 horas, R$ 8,00, demais horas, R$ 2,00; domingo: preço único, R$ 10,00.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ana Luiza Nobre informa:

lá no blog dela, o Posto 12.


O jornalista da Folha de S.Paulo me liga no meio da tarde para saber minha posição sobre o projeto para Vargem Grande, votado ontem em sessão extraordinária na Câmara dos Vereadores e publicado hoje n' O Globo. Também só conheço o pouco que saiu no jornal, respondo. E lamento dizê-lo, mas isso tem sido o Rio. São dezenas, centenas de projetos que pipocam a cada dia na imprensa, sem autoria, sem qualquer conexão entre si e sem nenhuma concepção de cidade como fundamento.

Este altera o chamado PEU/Projeto de Estruturação Urbana das Vargens, redefinido os parâmetros urbanísticos de boa parte da Zona Oeste (Vargem Grande, Vargem Pequena, Recreio dos Bandeirantes, Camorim e parte de Jacarepaguá), onde devem ser instaladas a futura sede da CBF, o Museu do Futebol e a Vila Olímpica, entre outros equipamentos ligados à Copa e às Olimpíadas.

Depois de tanta gritaria, parece que alguns vereadores estão mais atentos. Mesmo assim o projeto foi aprovado em primeira discussão, por 36 votos a 8.

domingo, 1 de novembro de 2009

Nova Capela - Nova Capixel


sábado, 31 de outubro de 2009

Políticas da Arte – Diálogos da Arte



Dias 3 e 4 de novembro na Cinemateca do MAM
Organização: MAM-RJ/Azougue Editorial
Coordenação: Frederico Coelho e Sergio Cohn

Outubro de 1968: Rogério Duarte e Hélio Oiticica organizam no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro o encontro batizado de Cultura e Loucura. Na montagem da mesa para o debate sobre os limites entre arte e contra cultura, além dos organizadores, participam Caetano Veloso, Nuno Veloso e Luis Carlos Saldanha. A idéia de Rogério e Hélio era ter também Chacrinha e Glauber Rocha, mas não foi possível. Tempos depois, Antonio Manuel lançaria um curta-metragem com os principais trechos do debate.

Outubro de 2009: o incêndio no acervo do Projeto HO desencadeia no meio das artes visuais uma série de documentos, textos pessoais, emails, cartas abertas, testemunhos e manifestos sobre a questão dos acervos de artistas e instituições. O debate gira maciçamente ao redor das condições de preservação e manutenção, das políticas públicas e privadas de financiamento, da repercussão pública do incêndio em contraponto ao descaso diário em relação a outros acervos importantes que se deterioram em nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, passa ao largo das mídias as propostas culturais que se encontravam em gestação em torno do Projeto HO, entre elas redes digitais de artistas e criação de espaços de disponibilização ao público das reservas técnicas dos artistas contemporâneos.

Se um encontro como o aqui proposto já se fazia necessário e urgente, ao constatarmos tal massa de opiniões no espaço virtual ou nas conversas privadas, agora se torna inadiável trazer o debate de volta ao espaço público.

Reivindicando a retomada do MAM-RJ como um espaço não só de exposição de obras, mas principalmente de exposição de ideais, questões, diálogos e conflitos, convocamos a todos os personagens do universo das artes visuais da cidade – artistas, críticos, jornalistas, galeristas, donos de acervos públicos e privados, compradores, produtores, público e pesquisadores – para participarem nos dias 3 e 4 de novembro do debate Políticas da Arte – Diálogos da Arte.

O objetivo do encontro é simples: romper com a idéia estática de um seminário acadêmico e estimular a participação pública na formulação de propostas para os problemas e soluções que todos podem trazer em suas colocações. A participação da platéia será tão ou mais importante do que a participação dos nomes nas mesas montadas para estimular o debate. O resultado do encontro será registrado e documentado num caderno de propostas, a ser publicado de maneira emergencial ainda esse ano pela Azougue Editorial.

Na terça-feira, dia 3, teremos duas mesas – uma na parte da manhã (11:00) e outra na parte da tarde(14:00) – com a participação dos coordenadores do evento (Frederico Coelho e Sergio Cohn) e de representantes de acervos (Cesar Oiticica Filho e João Vergara, com mediação da crítica Daniela Name). A intenção das duas mesas é fornecer mais elementos e informações para o debate com o público presente. Também será lançado nesse dia o projeto Rede Arte Brasil, uma rede digital de artes plásticas organizada pelo Projeto HO, com explicação pública de seus objetivos e metas.

Na quarta-feira, dia 4, a intenção é promover durante a tarde (das 14:00 às 18:00 horas) um balanço das conversas do dia anterior e uma convocatória geral para todos os interessados no debate sobre os temas propostos pelo encontro. Uma assembléia geral em que a participação de todos será fundamental para ampliarmos a capacidade de ressonância do evento. Os artistas e críticos Marcio Botner, Ernesto Neto, Felipe Scovino e o curador do MAM-RJ Luiz Camillo Osório, conduzirão o debate desse dia. 

Políticas da Arte – Diálogos da Arte não é somente um encontro, não é somente um seminário e vai além do velho debate entre os mesmos. É uma convocação do MAM para que todos seus parceiros e colaboradores (seja o público e a sociedade, sejam os artistas e os que se relacionam com as artes) tenham novamente voz ativa na proposição e condução das políticas que atravessam o dia a dia das artes visuais contemporâneas.

Se no espaço virtual ficou provado nas últimas semanas que a demanda por conversas, por posições e por reivindicações é intensa, chegou a hora de nos encontrarmos face a face para  refundarmos um novo marco crítico e um novo espaço de ação no Rio de Janeiro.

A hora é essa. Antes do próximo incêndio.
Esperamos a presença de todos,

Frederico Coelho e Sergio Cohn

Cinco novas galerias chegam a diferentes regiões de São Paulo

na Folha/UOL

MARIO GIOIA
SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo
 
Num apartamento no décimo andar de um prédio na avenida Paulista, Fabio Cimino acende um charuto. Chegaram ontem as chaves da galeria de arte que ele pretende inaugurar em março do ano que vem. Vai se chamar Zíper e não deve vender nada parecido com o que está nas paredes do apartamento do dono. "Nelson Leirner, José Resende, os artistas que existem estão envelhecendo", resume. "Há uma procura por novos artistas. As galerias devem buscar talentos, do mesmo jeito que existe o "Ídolos"."

foto de: Patricia Stavis/Folha Imagem















Maria Baró trocou o espaço que ocupava no Itaim Bibi por um galpão na Barra Funda

E a demanda por novos ídolos traz junto uma oferta de novos espaços. Outras cinco galerias se instalam agora em São Paulo, cidade que marchands veem como porto seguro no meio da crise que abalou o mundo e fez despencar os preços no mercado internacional.
"Lá fora, é um mercado com bolha, é outro "game'", diz Cimino. "Aqui não teve bolha, preços continuam iguais. O Brasil está sendo descoberto, este é um momento bacana."
Tão bacana que os sócios da galeria Rhys Mendes também fizeram em São Paulo uma filial do negócio que começou em Los Angeles. "Existe uma abertura aqui", diz Pedro Mendes, o brasileiro do time. "São Paulo é uma das cidades mais autofágicas e inventivas do mundo, que aceita qualquer proposta."
E a deles é quebrar o monopólio da abstração geométrica que veem nas galerias tradicionais e misturar nomes fortes a um grupo de jovens que estão vendo despontar em São Paulo. Entre eles estão Carolina Ribeiro e Lucas Arruda, que levaram mais de 700 pessoas à galeria dos Jardins na abertura. "Em Los Angeles, para ter esse público, precisaria fazer muito barulho", diz Mendes.
"Muitas galerias já existiam e estão migrando para cá", observa Márcia Fortes, da poderosa Fortes Vilaça, com dois espaços na cidade. "São Paulo é o centro nervoso, financeiro do país, virou um porto seguro na crise."
Carioca como Fortes, Ronaldo Grossman fez as malas e transferiu sua galeria Novembro da ensolarada Copacabana à cinzenta Doutor Arnaldo, vizinho da galeria Vermelho.
É uma proximidade, aliás, não só geográfica. Zíper, Novembro e Rhys Mendes, estreantes no circuito paulistano, dizem seguir como modelo o foco em nomes ascendentes e mostras alternativas defendido e divulgado pela Vermelho.
"Queria que a cidade invadisse essa galeria", diz Grossman. "Precisamos atrair um público novo, que não seja o do meio."
Com o número limitado de obras consagradas hoje no mercado, marchands tentam emplacar jovens artistas para um público renovado de colecionadores, dispostos a investir em artistas mais jovens e, por isso mesmo, menos caros.
"O importante é vender e quem dá o preço é o galerista", diz Fabio Cimino, entre baforadas de seu Montecristo. "Antes levava dez anos para criar demanda por um artista; hoje você faz um artista em três anos."
Ou até menos. No espaço virtual da Motor, que passa a vender obras de 80 artistas pelo site Submarino na semana que vem, preços baixos devem gerar demanda instantânea por múltiplos e obras menores.
É uma espécie de multimarcas on-line das principais galerias do país, que vão vender uma linha mais simples de obras de artistas já consagrados, aproveitando o bom momento vivido no mercado real.
Existe, aliás, vida nova também no universo dos medalhões. A galerista Raquel Arnaud, que fez bombar a geração construtiva nos anos 70, está se mudando para um espaço bem maior na Vila Madalena.
Maria Baró, focada em artistas latino-americanos já consagrados, também trocou um espaço diminuto no Itaim Bibi por um grande galpão na Barra Funda, seguindo os passos da Fortes Vilaça, que abriu um anexo por ali há um ano.
"Estou esperançosa, a perspectiva é boa", diz Baró. "Há um fogo do colecionismo."

Lapa do alto



30/10/09 - 19h33


30/10/09 - 20h48



31/10/09 - 06h37